Okã-ama-nã-rã: bate e volta em Curitiba

Era 1 hora da manhã de uma segunda-feira e o celular agitadíssimo nos papos entre eu e minha grande amiga Naiana Confortin, iríamos levantar às 3 horas da manhã para nos prepararmos e pegarmos a estrada às 4 horas. Ou seja, acabamos não dormindo, a meta era Curitiba (PR) onde ela precisava se matricular na residência médica. No fim, partimos para a estrada às 4:15h da segunda-feira com muito café e adrenalina rumo ao estado vizinho.

Entre um quilômetro e outro, existem muitas coisas que nos mantiveram atentos e super acordados, a campeã desta vez foi a Zezé de Avenida Brasil com seu hit “Eu quero ver tu me chamar de amendoim“, em especial a versão das Bibas from Vizcaya. Na nossa playlist entraram também os hits da banda Daughtry, a nova música das Destiny’s Child, Nuclear e os últimos álbuns de P!nk, Fun e Kimbra. Acabávamos repetindo (SEMPRE) as mesmas músicas.

A estrada nos dá vários presentes ao amanhacer, mas o melhor de tudo foram os nomes que vimos por lá: a Fazenda Dona Bida, acho que ela deve ser queridíssima, Bida parece tão legal, o caminhão da “Bitur”, que na minha cabeça só pode ter vindo de uma das cidades mais estranhas que já ouvi o nome, Bituruna. E a nossa ida terminou passando por uma bar com um típico nome em inlgês-abrasileirado, o Bar Naity! Se fosse night já, teria parado.

Chegamos em Curitiba em uma manhã super nublada e cheia de pessoas super-ultra-mega-über encasacadas. Com alguns quilômetros de congestionamento dentro da cidade e algumas perdidas de rotas, mesmo com o GPS (falando nisso, o GPS do iPhone 4s é sensacional). Chegamos ao Hospital das Clínicas vinculado à UFPR (Universidade Federal do Paraná). Lá encontramos um grande amigo, Jossandro Cruz, que convidou a médica para conhecer a estrutura do hospital.

No embalo fui convidado a acompanhar a visita, pronto! Temor à vista. Tenho pavor de hospitais, só vou em últimos casos ou para cirurgia plástica, minha ou dos outros. Começamos pela emergência, subimos para o segundo andar, no centro de terapia semi-intensiva da emergência. No terceiro andar tem o centro de terapia intensiva da emergência, tudo no mesmo prédio. Fiz todos os procedimentos para evitar infecções e fui visitar. Na minha cabeça era só alívio, a pior parte tinha ido e conheci pessoas muito simpáticas que aliviaram meu temor. Mudamos de prédio e veio a conversa mais assustadora do dia:

Jossandro: – Então, aqui fica o necrotério.

Ernesto: – oi?!

Naiana: – Adoro necrotérios.

Ernesto: – oi?!

Jossandro: – Então, estamos chegando perto.

Ernesto: – oi?!

Nessa hora eu vi a placa do necrotério, meu coração pulsava mais rápido que as batidas da Beyoncé, parecia que a placa tinha o tamanho inteiro do hospital. Quando chegamos na tal placa, eu já tava praticando todos os exercícios de respiração que conhecia para me manter calmo, aquela coisa de corredores vazios de hospital me deixam em pânico.

Foi então que, em um momento de inspiração divina, o Jossandro lembrou que a Naiana estava prestes a se tornar residente em Ginecologia e resolveu ir direto para a ala de ginecologia e obstetrícia, eu olhei para a placa dei uma piscadinha e um sorriso irônico com aquela cara “rá rá, te peguei”. Foi nesse momento que passei por louco.

Então conhecemos a ala de mamães e bebês, foi ótimo, vários bebês, fotos e gente feliz com suas crianças, a equipe mais feliz do hospital. Foi incrível!

Depois do fim da visita fomos ao Shopping Estação, bem próximo ao hospital para almoçarmos. Logo partimos para Campina Grande do Sul (eles só chamam de Campina Grande, tava o tempo todo me sentindo na Paraíba), cidade pertin, pertin de Curtiba, para irmos ao Hospital Angelina Caron, onde a Dra. Naiana fará sua residência. É claro que nos perdemos mais umas 5 vezes para sair da cidade e também para acertar as entradas da rodovia. Enfim, chegamos ao hospital, restando apenas 1 hora para encerrar o prazo das matrículas, a minha amiga estava mais tensa que no dia de sua formatura.

No fim das contas, ela foi e fez o que tinha que fazer, eu me neguei a visitar mais um hospital, o meu limite humano é um por dia, juro, não dá!!!! Estacionei o carro, tirei um cochilo e usei a última hora para arrumar meu cabelo (entenda o motivo!), vou contar ein, arrumar o cabelo dentro do carro é para os fortes, ou melhor, visitar um hospital sendo profissional de comunicação é para os fortes. Logo depois conheci os “veteranos” de residência da minha amiga, Rafael e Juliana (Linda, Linda e Linda!!!), pessoas iluminadas, afinal, para fazer gineco tem que ser! Não preciso argumentar nesse ponto.

Fomos então passear por Campina Grande Sul, cidade onde fica o hospital, cidadezinha super simpática. Vimos dois apartamentos por lá e fomos comer em um posto de gasolina, algo bem comum para nós, Chapecoenses.

Partimos, sem descanso rumo à Chapecó às 18:50 horas. Era minha vez de assumir o volante e no rádio tocava Dirtty da Christina Aguilera no último volume. Não pegamos movimento no início e fomos, fomos, fomos, fomos, depois de uma hora fomos conferir a quilometragem feita e para nossa total tristeza, 60 km, APENAS! Não fomos tanto assim…

Nos perdemos em União da Vitória, para ter graça, afinal viagem de carro sem erro de trajetos não é uma boa viagem. Entramos na cidade às 22 horas e a cidade estava bombando: bares, pessoas na rua, caminhando, de bike e todo tidpo de exercícios ao ar livre, morri de amores pela cidade. Paramos num posto de gasolina perguntando pelo trevo do Iraní e os frentistas não faziam muita idéia do que era aquilo, logo percebemos que estávamos muito, mas muito longe ainda.

Com muito energético, uma parada para esvaziar a bexiga e um alongamento básico, seguimos nossa rota. Nesta altura, a Naiana já nem se oferecia mais para dirigir, mal conseguia manter os olhos abertos. Pronto, às 23h foi declarada a hora do sono, o primeiro cochilo dela. E ai veio a estrada em reformas, na minha cabeça só tinha aqueles bons pensamentos (%*!I#!*#@*#). Em uma das pistas duplas ultrapassei 22 caminhões, sim eu contei. Não tinha como ultrapassar muito não, o movimento no sentido contrário era absurdo. Luz alta na cara dos outros então é muito comum, fiquei irritado com isso, muito. Pelo menos, me mantinha acordado.

No fim das contas comecei a cantar Adele e todas as músicas tristes que tinha na playlist e pensar nos sofrimentos da vida, isso sim me deixa acordado. Quando passamos por Xanxerê e Xaxim, tudo antes de Chapecó (que já foi Xapecó), ficávamos com muito sono, afinal, não tinha movimento e os novos pardais por alí variam de velocidade máxima entre 40 e 60 KM/H. Chegamos em Chapecó por volta da 1 hora e 30 minutos da manhã da terça-feira e a cidade parecia fantasma. Entramos rindo e foi difícil essa viagem, eu quase cochilei em uma sinaleira.

No fim das contas, Naiana agora é residente de GO (se não sabe o que é, não se preocupe tem muitas outras gírias médicas que parei de procurar descobrir, tudo parece sigla de associação ou algo online: GHT, ATI, HTTP, UOL)  e com certeza voltei feliz, moro numa cidade que não se chama Bituruna (nada contra a cidade, mas o nome é estranho, ah isso é).

Okã- ama-nã-rã Dã-dã-rim, agora eu quero ver tu me chamar de amendoim!

Confira algumas fotos (Ah, já iria esquecer, a animadíssima Naiana tentou tirar uma foto do reflexo do sol nos vidros de uma igreja com o carro em movimento, não deu muito certo):

Sobre Ernesto Antonini

Leonino convicto, publicitário, estudou entretenimento na UCLA, trabalhou no Oscar e morou em Hollywood. É produtor de eventos, de casting, apresentador de TV e colunista social. www.ernestoantonini.com.br
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