Uma potência por trás da Lady Gaga Inc.

OBS.: É um texto de tradução livre, sem objetivos técnicos, apenas para facilitar o acesso à informação para quem julgar interessante.
 

Uma potência por trás da Lady Gaga Inc.

Artigo original: A Force Behind Lady Gaga Inc. Por Evelyn M. Rusli, publicado pelo NY Times em 05 de junho de 2011. Tradução de Ernesto Antonini, em 8 de junho de 2011. ernestoantonini@gmail.com 
  
 

Logo após a Apple ter iniciado sua rede social voltada para a música no ano passado, a Ping, Steven P. Jobs procurou por Lady Gaga e seu empresário, Troy Carter, para uma opinião.

Na sede da empresa em Cupertino, Califórnia, Lady Gaga questionou Jobs (Diretor Executivo da Apple) sobre o design e como a Ping iria interagir com outras redes sociais. A Pop Star e Troy (Carter) não esconderam sua preocupação sobre a pouca integração com o Facebook, mesmo assim não deixaram de respeitar a visão geral de Jobs.

A reunião também deu pra Troy uma nova idéia tecnológica. Ele ligou pra seu amigo Matthew Michelsen (super-conectado investidor e empreendedor de tecnologia) pra encontrar uma plataforma para profissionais do entretenimento que pudesse ajudar a gerenciar as informações de fãs nas maiores redes sociais.

“Eu disse: porquê tentar encontrar uma plataforma, vamos criar uma” disse Michelsen.

Apesar do trabalho na turnê de Lady Gaga nessa temporada, Troy e Michelsen silenciosamente tomaram uma iniciativa, criaram a Backplane, com uma equipe de sete pessoas. A Backplane, ainda não lançada, é uma plataforma focada em fortalecer as comunidades online em interesses específicos, por exemplo, músicos, equipes de esporte que integre os feeds do Facebook, Twitter e outras redes.

“Backplane vai disponibilizar plataforma e ferramentas para que os grupos possam interagir e se comunicar em um nível mais específico” afirmou Troy, parecendo muito mais com um empreendedor do que um empresário de Pop Star. “Precisamos de base de dados mais específica”.

Enquanto a própria Lady Gaga (ou Stefani Joanne Germanotta) é a criativa por trás da Lady Gaga Inc., seu, menos conhecido, empresário (Troy) é a cabeça por trás do empreendimento de estratégia digital.  Diferente de outros empresários, que focam quase totalmente em grandes plataformas como o YouTube, Troy tenta se inserir em um grande campo de ferramentas online para manter a Máquina Gaga sempre a todo vapor.

Backplane – uma mistura de música, celebridades e tecnologia – foi uma evolução natural, disse Troy, que trabalhou com Lady Gaga por mais de quatro anos.  Enquanto as vendas tradicionais de música caiam, a internet começou a se tornar cada vez mais importante na indústria da música.

“Era uma vez o tempo que as estações radio não tocariam as músicas da Gaga porque eram consideradas dance” afirmou Troy. “Excluindo as performances ao vivo, a internet se tornou a principal ferramenta para as pessoas descobrirem a música dela”.

Troy representa um grupo emergente de empresários de Hollywood, atores, músicos e outros profissionais da indústria que estão ficando mais tempo no Vale do Silício (nota do tradutor: em referência à capital tecnológica representada pelo Vale do Silício), enquanto a tecologia cresce como forma de consumir conteúdo.

Os mundos da tecnologia e do entretenimento tem se chocado frequentemente, fator provado pelos softwares de compartilhamento de música como o Napster, através dos quais alguns usuários compartilham arquivos ilegalmente. Alguns críticos do Vale do Silício ainda são céticos quanto às pessoas de Hollywood, que eles vêem como sanguessugas que superestimam o seu próprio valor.

“É claro que essas pessoas podem ser úteis, mas conseguiria a Lady Gaga criar um empreendimento? Não.” Disse Jeff Clavier, investidor de risco.

Para Troy, as duas indústrias são simbióticas. Enquanto ele se esforça para fortalecer a marca Lady Gaga e sua própria influência no Vale do Silício, ele tem ido a diferentes reuniões com executivos da Zynga e Larry Page, o diretor da Google, que carinhosamente Lady Gaga chama de Larry Google.  Ele também é investidor de várias iniciativas, incluindo Bre.ad, Tiny Chat e Lumier, uma iniciativa apoiada pelo primeiro investidor externo do Facebook, Peter Thiel.

Essa empreitada de risco de Troy, a Backplane, está atraindo capital de apoiadores promissores. A corporação arrecadou mais de US$ 1 milhão de um grupo de investidores liderados pela Tomorrow Ventures, a firma de investimentos do presidente da Google, Eric E. Schimidt. Lady Gaga, que tem atuado como consultora informal, é também a maior acionista com uma participação de 20%.

 “Nunca esquecerei de quando encontrei Troy pela primeira vez” em 2009, disse Michelsen, que na época estava ajudando o rapper 50 Cent com suas iniciativas online. Depois de uma conversa de quase três horas sobre a intersecção entre música e tecnologia, Troy terminou a conversa afirmando, “Eu vou colocá-lo na indústria musical e você vai me colocar dentro da indústria de tecnologia”.

Vestindo jeans casual, um cardigam largo de cor creme e óculos, Troy, 38, é um contrate com sua cliente, uma imã para paparazzi em seu tope pirotécnico e salto Alexander McQueen. Troy é mais confortável longe dos holofotes, silenciosamente fechando contratos para seus super clientes.

Ele trabalhou para Sean Combs, Notorious B.I.B (em meomória) e Will Smith, que ele conheceu na sua cidade, West Philadelphia, no final dos anos 80. Troy passou por uma infância agitada, muitas vezes vivendo com ajuda dos subsídios do governo, diz ele. Quando adolescente carregava caixas para D.J. Jazzy Jeff e Will Smith, na época conhecido como Fresh Prince.

Hoje, como diretor executivo de sua própria empresa de Administração de Imagem, a Coalition Media Group, ele representa os artistas da empresa, incluindo a sensação do YouTube Greyson Chance e a atriz de Bollywood (nota do tradutor: Bollywood é a capital indiana de cinema, nome em referencia à Hollywood. Recentemente nos holofotes por causa do filme Quem quer ser um milionário vencedor do Oscar em Hollywood), Priyanka Chopra (nota do tradutor: se tornou pública ao representar a Índia e vencer o concurso Miss Mundo 2000). Mas o grande negócio dele foi o tempo gasto com sua maior cliente, a Lady Gaga.

O poder dela, somado à agressividade para os negócios de Troy, fizeram de Lady Gaga uma potência na Web. Em maio ela se tornou a primeira usuária de Twitter a atingir 10 milhões de seguidores, superando o astro adolescente Justin Bieber e o presidente Obama. A sua página no Facebook tem mais de 36 milhões de fãs. E nas últimas semanas ela começou a divulgar as parcerias com Google, Zynga e Gilt.

“Troy e Gaga estão fazendo coisas em comunicação e relacionamento de fãs que nunca vimos antes”, segundo Gary Briggs, vice presidente da Google, que trabalhou recentemente com a equipe de Lady Gaga no comercial do navegador Google Chrome.

Em 23 de maio, a Amazon vendeu copias digitais de seu último álbum “Born This Way” por 99 centavos de dólar para promover seus serviços de música. Seus fãs tiraram no ar os servidores da Amazon no primeiro dia de vendas. A promoção, paga pelo varejista, ajudou ela a vender 1,1 milhão de álbuns nos EUA na semana de lançamento, segundo Nielsen SoundScan (nota do tradutor: sistema que quantifica as vendas em música), o maior número de qualquer artista desde 2005.

Diferente da maioria dos investidores de risco, Troy tende em investir em plataformas que são úteis para artistas. A Backplane, junto com a Bre.ad. (uma iniciativa publicitária personalizada) e a Lumier (uma empresa de design) vão trazer informações para inserção pública de Lady Gaga.

Devido à realizações de Lady Gaga, ela é uma valiosa incubadora para promover novos conceitos ou produtos. Zynga iniciou recentemente a GagaVille, uma promoção espacial que permite os usuários do FarmVille a liberar suas músicas e itens virtuais especiais, por exemplo, unicórnios e cristais. Bing Gordon, diretor da Zynga, definiu isso como uma combinação lógica, afirmando “é tudo entretenimento”. Recentemente ele adicionou os cristais de Gaga em sua própria fazenda virtual.

Como a maioria dos negócios fechados no império Lady Gaga, Troy e sua equipe negociaram a estrutura inicial e martelaram a parceria em 90 dias. Lady Gaga trabalhou no produto criativo final, adicionando componentes visuais de seus vídeo clipes e turnês para gerar com um senso de “autenticidade” ao design.

“Tecnologia é, há um bom tempo, a fonte de crescimento da indústria musical, desde a invenção do LP, players K7, Vinil e CDs” segundo Troy. “Para continuar o crescimento temos que voltar a abranger o setor tecnológico que é a forma que as pessoas escolhem para consumir música”.

Sobre Ernesto Antonini

Leonino convicto, publicitário, estudou entretenimento na UCLA, trabalhou no Oscar e morou em Hollywood. É produtor de eventos, de casting, apresentador de TV e colunista social. www.ernestoantonini.com.br
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